Resumo
No cenário contemporâneo somos frequentemente surpreendidos por um sem número de movimentos em rede. Muitos deles motivados pelas facilidades de integração via meios digitais e pela proliferação de informações, o que confere aos grupos uma grande capacidade de mobilização sem que, nem mesmo, seja necessário deslocamento físico. Esses movimentos em rede contribuem de alguma forma para a movimentação política, para o intercâmbio de informações, para a tomada de decisões, agregando valores, diminuindo as distâncias e ampliando as possibilidades de discussão.
Com inspiração nos movimentos em rede que possibilitam a troca de saberes e a circulação de experiências, apresentamos Educação museal: práticas e narrativas. Trata-se de um instrumento que possibilita outras formas de articulação entre os educadores e apresenta um espaço para a reflexão sobre o campo da educação museal brasileira. A publicação elenca, assim, as práticas educacionais desenvolvidas nos museus brasileiros e contempladas no edital Darcy Ribeiro no ano de 2010.
O Prêmio Darcy Ribeiro teve origem na atuação do extinto Departamento de Museus e Centros Culturais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com o objetivo de identificar e estimular os movimentos e as práticas educacionais dos museus. Herdeiro dessa iniciativa, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) reuniu os resultados das três edições do Prêmio em três publicações distintas.
Aqui estão os resultados de 2010. Importa esclarecer, no entanto, que para chegar a esses resultados, para avaliar e selecionar as experiências participantes do consurso público, assim como aconteceu nas edições anteriores, foi constituída uma comissão julgadora que analisou os projetos com base nos seguintes critérios: clareza nos objetivos; impacto sociocultural; descentralização dos recursos (levando em consideração a diversidade regional do país); efeito multiplicador; e adesão do museu em que a experiência foi realizada ao Cadastro Nacional de Museus e ao Sistema Brasileiro de Museus.
A comissão julgadora compreendeu os processos educacionais nos museus de forma ampliada, valorizando os seguintes aspectos: os diferentes públicos e seus interesses; as práticas que promovem o relacionamento do visitante com o meio em que vive e com o museu; o museu aberto à novas experiências e à novas propostas e práticas; o museu que rompe a barreira de suas paredes; o museu e a prática educacional que considera a discussão de temas que contribuem para a tomada de decisão e formação de opinião de seus visitantes; e as relações que se estabelecem no ambiente do museu.
Em 2010, inscreveram-se para concorrer ao Prêmio Darcy Ribeiro 46 projetos, dos quais foram selecionados 16.
Em primeiro, segundo e terceiro lugar respectivamente foram contemplados os seguintes projetos: 1ª gincana do Museu e Arquivo Histórico de Panambí; o Laboratório Inhotim 2007 – 2011: germinando desdobramentos, avaliando sutilezas, apresentado pelo Instituto Inhotim;
e A inclusão de públicos especiais em museus: o programa educativo para públicos especiais da Pinacoteca do Estado de São Paulo, além das 13 experiências selecionadas como menção honrosa.
A publicação das experiências e narrativas premiadas coloca em destaque seus compromissos sociais, seus exercícios de imaginação e criatividade, seus diferentes processos metodológicos e suas diferentes perspectivas temáticas.
Nós - os organizadores desta publicação - acreditamos no potencial transformador das redes e articulações. A movimentação das redes de saberes, práticas e trocas, a energização de seus ramos, suas linhas de agenciamento, suas ligações e compartilhamentos podem contribuir
para o aprimoramento e a ampliação do potencial educacional dos museus. É isso o que gostaríamos que acontecesse com esta publicação: que ela seja estímulo e fortalecimento para outras reflexões e práticas no campo da educação museal, que exerça um papel disseminador e polinizador de outras experiências e narrativas educacionais.
Boa leitura!
Mario Chagas e Marcelle Pereira