Resumo
Como parte de um mundo em movimento acelerado, marcado pela desconstrução das noções tradicionais de tempo e espaço e no qual identidades locais e globais se relacionam em complementaridade, os museus assumem um papel ainda mais estratégico e desafiador.
Museus acessam no presente a memória do passado e, a partir daí, promovem perspectivas de futuro. Mas como agir em um mundo no qual até mesmo as etapas da vida parecem não seguir uma sequência pré-definida?
A quebra de fronteiras para o acesso a informações e a instantaneidade com que nos chegam notícias de todas as partes do mundo nos coloca em contato com realidades diversas sem que deixemos nossa comunidade. Essa facilidade nos aproxima, gerando oportunidades, gostos e necessidades globais.
Por outro lado, também é crescente o sentimento de valorização das identidades locais. Por meio de uma memória social é possível entender coletivamente experiências vividas por determinado grupo e, assim, buscar fortalecer ou transformar realidades, integrando pessoas e reconhecendo memórias que antes ficavam à margem da história oficial.
Com tantas transformações sociais, o primeiro desafio dos museus é refletir sobre seu papel nesse mundo em movimento. Enquanto tempo e espaço são suprimidos, condensados ou subvertidos, os museus aparecem como conectores. São pontes entre a memória e o esquecimento; o individual e o coletivo; o local e o global; o que se é, se foi e se pretende ser.
Por isso, em 2012 o Ibram convida os museus brasileiros a comemorarem a 10ª edição da Semana Nacional de Museus com o tema Museus em um
mundo em transformação – novos desafios, novas inspirações.
Importante agenda anual, a Semana tem o propósito de mobilizar os museus brasileiros a partir de um esforço de concertação de suas programações em torno de um mesmo tema. Sua primeira edição foi realizada em 2003, idealizada pelo Departamento de Museus (Demu/Iphan), atual Ibram, quando contou com a participação de 57 museus, os quais realizaram cerca de 270 eventos em 36 cidades brasileiras. Hoje, as dez edições da Semana de Museus totalizam mais de 5.000 participações e aproximadamente 15.700 eventos realizados em todo o território nacional.
O ano de 2012 comemora também um marco da museologia mundial: os 40 anos da Mesa Redonda de Santiago do Chile/1972, quando uma nova proposta de fazer museal foi apresentada ao mundo. Para além das coleções, acervos e prédios, pensando nas metamorfoses e crises sociais que se apresentavam à época, a Mesa de Santiago lançou o desafio de pensar o museu como “instituição a serviço da sociedade, da qual é parte integrante e que possui nele mesmo os elementos que lhe permitem participar na formação da consciência das comunidades que ele serve”¹.
Ao avançar pelas questões propostas na Mesa de Santiago, as políticas desenvolvidas pelo Ibram para o campo museal são pensadas a partir da função social das instituições museológicas, e estão refletidas nos temas adotados desde as primeiras edições da Semana de Museus.
A idéia de discutir os museus, os seus papéis, as suas contribuições, sempre pautou as iniciativas de estímulo para as atividades da Semana Nacional de Museus. Agora, mais do que nunca, essa demanda se impõe sobre o mundo que queremos, sobre o museu que desejamos.
Nessa perspectiva, o Ibram convida as instituições museais e culturais brasileiras a pensarem, no contexto de suas realidades, o tema da 10ª Semana.